Lucas Aribé - Carta aberta a Aracaju - Projeto Aracaju Acessível 2018

Aracaju Acessível

Carta aberta a Aracaju - Projeto Aracaju Acessível 2018

Data de Publicação: 24 de Setembro de 2018

 

 

CARTA ABERTA A ARACAJU

 

PROJETO ARACAJU ACESSÍVEL: Comunicar para Incluir


 

“Acessibilidade não é privilégio nem utopia, é direito.” (Lucas Aribé)


 

De 16 a 23 de setembro, realizamos pela sexta vez a Semana Aracaju Acessível, oferecendo aos aracajuanos diversos eventos, com a colaboração de instituições, órgãos, empresas, imprensa e de cidadãos comprometidos com a acessibilidade e com Aracaju, visando conscientizar e mobilizar a sociedade para a reflexão sobre os direitos de todos os munícipes.

 

Com o tema Comunicar para Incluir, buscamos reforçar a importância da comunicação como um dos principais caminhos para a consolidação da inclusão, além de reforçar o papel da família como o primeiro ambiente de convivência e alicerce permanente na construção de uma sociedade inclusiva. As barreiras comunicacionais ainda são presentes no cotidiano de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, limitando-lhes o acesso a informações, ao conhecimento, a produtos e serviços com autonomia, segurança e liberdade.

 

A Língua Brasileira de Sinais – Libras, reconhecida no Brasil como a segunda língua oficial, não tem sido difundida nos ambientes educacionais, além de não haver escolas bilíngues em Aracaju, o que restringe o acesso de pessoas surdas à educação. Faz-se necessário o conhecimento da Libras desde as séries iniciais, bem como a efetivação do cargo de tradutor/intérprete no quadro geral de servidores públicos municipais.

 

Os recursos tecnológicos existentes ampliam significativamente as possibilidades e oportunidades de inclusão comunicacional. O poder público, por sua vez, deve atuar como parceiro dos cidadãos, incentivando a pesquisa científica, a aquisição de equipamentos/softwares acessíveis, além de firmar parcerias no sentido de fortalecer políticas públicas de inclusão.

 

Pretendemos, com isso, garantir à pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida a participação social plena, efetiva e em igualdade de condições com os demais cidadãos, uma vez que estará sendo tratada diferente na sua diferença e terá garantida a igualdade de oportunidades que lhe é de direito.

 

Plantamos as sementes em 2013 e continuamos a regá-las com criatividade e compromisso. Nesta última edição da Semana Aracaju Acessível, registramos marcos históricos, como a criação do Observatório de Acessibilidade da Universidade Federal de Sergipe. Cumprindo o seu papel fundamental enquanto casa do conhecimento, criou um observatório permanente, com o envolvimento de diversos departamentos e participação efetiva de acadêmicos com deficiência. Um feito inédito entre as instituições de Sergipe, da mesma forma que foi o 1º Encontro de Libras do Instituto Federal de Sergipe.

 

Mobilizamos pessoas com deficiência na luta por igualdade de direitos. Elas lotaram a sessão especial na Câmara de Vereadores de Aracaju, tiveram vez e voz, deram exemplos de enfrentamento às barreiras da acessibilidade e apresentaram demandas urgentes para o Poder Público, nas áreas da educação, saúde, segurança pública, transporte, entre outras.

 

No Seminário Aracaju Acessível, para provar que a deficiência está no ambiente, e não nas pessoas, apresentamos tecnologias inclusivas que permitem a comunicação e inserção social das pessoas com deficiência, a exemplo dos softwares Livox, Hand Talk, CittaMobi e dos óculos OrCam MyEye, que permitem às pessoas com deficiência visual reconhecerem textos, produtos e até mesmo rosto de outras pessoas.

 

Ao longo da programação, distribuímos 20.000 cartilhas contendo dicas de como se dirigir à pessoa com deficiência, visando estabelecer uma comunicação inicial. Outro grande acontecimento foi o lançamento da campanha Bengala Verde, iniciativa que objetiva conscientizar a população sobre a utilização da bengala por pessoas com baixa visão.

 

Continuaremos regando as sementes, mas, enquanto não chegam as flores e os frutos, insistimos:

 

 

  1. - Que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida assumam seu protagonismo na disseminação, fiscalização e exigência da garantia dos seus direitos, observando-se em especial as inovações contidas na Lei Brasileira da Inclusão, e que seja elaborado e firmado um Pacto Coletivo entre o poder público, o setor privado, as instituições e a sociedade civil visando à eliminação das diversas barreiras, principalmente as atitudinais, existentes nas calçadas de Aracaju, inclusive com a criação de incentivo fiscal para estimular a ação;

 

  1. - Que seja difundido a partir do ensino fundamental menor o conhecimento da Libras e sejam estimuladas na sociedade escolar as práticas cidadãs que eliminam barreiras no cotidiano das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

 

  1. - Que sejam instaladas pelo Poder Público Municipal escolas bilíngües em Aracaju.

 

  1. - Que sejam ampliadas as oportunidades de acesso ao livro e à leitura para toda a diversidade humana, bem como o acesso a sites, portais e redes sociais seguindo as normas de acessibilidade web.

 

  1. – Que os recursos de legenda oculta, janela com intérprete da Libras e audiodescrição estejam presentes em todos os serviços de radiodifusão de sons e imagens oferecidos à população aracajuana.

 

  1. – Que os órgãos públicos possuam intérpretes da Libras no quadro geral de servidores.

 

  1. Que todas as calçadas da nossa cidade sejam livres e acessíveis, a começar pelas do centro comercial, ampliando-as, dotando-as de pisos táteis e proibindo o estacionamento de veículos nas vias dessa localidade, permitindo que os cidadãos circulem com autonomia e segurança..

 

  1. Que seja instituído em Aracaju, imediatamente, o Plano Emergencial de Recuperação de Calçadas e Passeios Públicos, conforme preceitua a Lei Municipal nº 4.867/2017.

 

  1. – Que seja assegurado às pessoas com deficiência o acesso com autonomia a espaços de lazer (praias, parques e cinemas) e de cultura (museus e teatros), para a plena participação e interação social, e que só haja liberação para a realização de eventos quando a acessibilidade for garantida.

 

  1. - Que o Poder Público incentive o uso da bicicleta em Aracaju, monitorando / reformando / ampliando sua infraestrutura (ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas), instalando paraciclos em praças, parques, centro histórico comercial, edifícios públicos e ao longo da rede cicloviária, assim como o fomento de sua cultura através de campanhas educativas e de estímulo.

 

  1. - Que seja estimulado e difundido o esporte paralímpico e sejam garantidos incentivos aos paratletas e seus guias.

 

  1. - Que sejam eliminadas todas as barreiras que dificultam ou impedem a contratação de profissionais com deficiência para atuar no mercado de trabalho, a começar por ofertas de vagas em todos os níveis da empresa e não concentradas em cargos mais simples, reduzindo assim o preconceito e a discriminação.

 

  1. - Que todos os ambientes de trabalho sejam estruturados de forma a garantir a presença da pessoa com deficiência, oferecendo acessibilidade arquitetônica, disponibilização de tecnologias assistivas, desenvolvimento e capacitação, sensibilização dos colaboradores e vida laboral digna.

 

  1. Que sejam praticadas ações objetivando atender as pessoas com deficiência, clientes em potencial, de forma digna, responsável e competente nas diversas lojas, bares, supermercados, restaurantes, hotéis, pousadas, farmácias, bancos, contribuindo para a construção plena da sua cidadania.

 

  1. Que os pontos de parada de transportes públicos ofereçam acessibilidade aos usuários, comunicando eficazmente as informações necessárias, independentemente de sua capacidade sensorial, física ou de condições ambientais, e que sejam instalados semáforos sonoros nas principais ruas e avenidas.

 

  1. – Que seja incentivada na cidade uma cultura de compartilhamento de conhecimento, experiências, informações e, principalmente, ideais, estimulando cada cidadão assumir a postura de guardião da acessibilidade e da inclusão social, fortalecendo assim seu sentimento de pertencimento a Aracaju.


 

Assim queremos, assim buscamos e por isso continuamos lutando.

 

Aracaju (SE), 21 de setembro de 2018.




 

PROJETO ARACAJU ACESSÍVEL

 

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Responsável: Lucas Aribé Alves